O dia estava frio, acordei com o estômago vazio e uma tremenda dor nas costas. Coloquei um agasalho, acendi um cigarro e me sentei no chão do meu quarto. Ao meu redor folhas amassadas, pedaços de papéis com versos e poesias. Alguns pela metade, outros rasgados. Amarelados com o tempo. Sentimentos transformados em palavras. Poemas feitos por mim a anos atrás. Reli alguns e ri de mim mesma, como é bom ver que superei tanta coisa que um dia me fez mal. Reli outros e lágrimas insistiram em cair. Pude sentir os nós em minha garganta. Doeu. Ainda dói, talvez eu não tenha superado tudo. Encontrei também, trechos de músicas que hoje em dia nem escuto mais. Mas que ainda tocam dentro de mim de alguma forma. Continuei olhando algumas fotos antigas, lembrei de como era ingênua a algum tempo atrás. Dava valor aos meros detalhes, como ganhar um vestido novo ou ficar com o troco da padaria para comprar doce. Minha vida era bem mais simples quando eu tinha 7 anos. Chorar por ter caído e ralado o joelho era menos doloroso. Hoje, chorar por ter um coração partido dói muito mais. Machuca mesmo. Pequenos detalhes que faziam diferença. Pequenos detalhes que deixamos passar despercebidos e depois sentimos falta. Pequenos detalhes que fazem nossa felicidade. Hoje, é deprimente dormi agarrada aos travesseiros pra fingir que é alguém. Tudo mudou. Alguns versos que reli nem fazem mais sentido, nem sei o por quê de ter escrito aquilo. Outros fizeram sentido demais e trouxeram dor. Nostalgia. A cada trago que dava no cigarro, fechava os olhos. As lembranças iam embora junto com a fumaça, que pouco a pouco sumiam. Dói saber que não se pode voltar no tempo. No chão continuei sentada, a coragem de levantar pra encarar a realidade foi embora. Percebi que não sou mais a mesma. Meu cabelo mudou, minhas roupas mudaram, meu modo de pensar. Meu jeito de falar, meu jeito de ser. Mudei. Tudo mudou. Infelizmente não sei como terminar esse texto pois até as palavras me faltam.
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